Crônica

Virou o ano – pausa para reflexão

Acabaram minhas férias, meu ócio e minha pausa reflexiva. Elas foram longas, maiores que as da minha filha ainda em idade escolar. É que eu preciso organizar muitas coisas para estar de volta ao batente. Organização interna. Mental, principalmente. E um bom descanso físico também, não vou negar. Jogar as pernas pro ar sempre me fez bem. Engraçado porque faz minha cabeça pensar mais. Se agita muito, chacoalha. Coisas do tom da tinta, talvez. Sem preconceito, por favor!

E cá estamos nós em início de Ano Novo. Recomeço. Tudo de novo, outra vez. A virada para mim significa bem mais que trocar a folhinha. Isso é muito simples. Tranquilo. Trivial de mais. Bobo até. Pessoas complicadas que tem a mente inquieta, como é meu caso, diga-se de passagem, precisam de um certo drama para manusear o calendário. Trocar dezembro por janeiro dá trabalho. É um símbolo de tanta coisa na minha cabeça, que preciso de tempo, espaço e meditação. É um longo processo. Preciso reflexão. Necessito preparo, amparo muitas vezes e por fim, reparo. De vida, de atitude e de conduta. Metamorfose. Conserto, por vezes.

Primeiro de tudo, acontece o balanço. Revisão. Check list. Tudo é revisto tim tim por tim tim. Todos os pingos nos is. Repasso o ano que findou. Fiz o curso que queria? Sim. Malhei sem faltar à academia? Mais ou menos. Aprendi a fazer risoto de camarão com laranja? Não! Definitivamente, não aprendi e é bom nem lembrar das pobres cobaias nos dias de tentativas! Aí vêm os assuntos mais sérios, aqueles que realmente eu me importo, que perco o sono. Melhorei como pessoa? Naquela situação xis, meu comportamento foi o mais adequado? Meu discurso está coerente? Estou educando direito? Me importei com o próximo?

Se eu perdesse só o sono, daria um jeito com uma boa metade de dormonid perdido na minha gaveta de cabeceira. Tiro e queda. Com ênfase na queda! O problema é perder a paz! E o maior problema ainda, é tirar a paz… dos outros. Meu marido compartilha sempre de meus pensamentos. Espontaneamente? Claro que não, porque eu gosto de azucrinar. Na alegria e na tristeza, lembram? No caso, triste é a situação dele, sem escolha. Rumino muito tudo o que passou e revejo meus principais atos, considerados por mim, passíveis de discussão e debate. E debato com ele, coitado.

O fato é que sem opção, sem alternativa, sem demagogia e, principalmente, sem mentiras, a cada ano preciso avançar. Um passo, um degrau, seja o que for, necessito não cometer os mesmos erros e as mesmas burradas do ano que passou. Burradas? Claro! Sou humana e posso errar. Aliás, não é isso que nos difere dos animais? A permissão do erro com a desculpa de sermos racionais? Errar é humano foi o que nos ensinaram e por conta disso, deitamos e rolamos! Pobre da bicharada. E pobre de nós. Mas um pequeno passo para mim sempre será um grande passo para a humanidade. Acho que ouvi isto em algum lugar… Pois bem, se serei uma pessoa melhor no Ano Novo, quem ganha são meus pares e adeus Ano Velho!

Primeira parte do martírio está pronta! Analisei, revi, acertei, vibrei e me culpei. Ao final tracei novas táticas de guerra para atingir meus novos objetivos. Evoluir. Então com a segunda etapa em desenvolvimento, parto para o novo. O que quero aprender? Onde quero chegar? Como vou fazer? Quando começo? E por aí vai. Mais alguns dias só preparando metas. Trabalho na base da cenoura. Ou seja, o jumentinho que vive em mim, está sempre em busca da cenourinha lá na frente. Se é certo ser assim? Não sei, não sei mesmo. Para mim funciona este sistema um pouquinho neurótico, um pouquinho obsessivo de ir atrás do que quero, pretendo e desejo.

E assim me perco no calendário. Minha noite de Reveillon só demora um pouquinho mais que a sua. Mas aviso a todos que estou de volta, estou focada, pronta, animada e que o ano promete! E passado todo este tempo de organização pessoal, finalmente, querido Ano Novo aqui me tens trabalhando com força total!

3 comentários

  1. Cada um tem seu tempo para refletir, planejar (quem planeja), entender que o ano é outro. Eu mesma vejo “2018” e fico confusa… 2012 não era ontem???
    Ótimo texto!

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