Crônica

Procura-se

Engraçado, tenho passado algum tempo dos meus dias pensando muito sobre um assunto. Estou preocupada de verdade. Até com certo medo, eu diria. Já perdi o sono, confesso!!!

Se você tem lido o blog já sabe minha idade, então não tem problema em revelar que a insônia tem a ver com minha memória, minhas lembranças do passado. De minha infância, para ser mais clara. Estou tremendamente tensa, pois acredito que assisti à extinção de algumas espécies e isso significa, para mim, algumas das seguintes alternativas: (A) Estou muito velha e já vivenciando seleção natural de animais, um lance tipo dinossauros, destruição; (B) Existe um complô contra minha pessoa, porque ninguém comenta o extermínio; (C) Fiquei louca e a família não percebeu; (D) Estou vivendo num mundo paralelo ou invertido; (E) Estou cega. Simples assim. Só eu não vejo tais animais e eles continuam andando por aí.

Vamos aos fatos. Quando eu era criança tinha medo, muito medo de um cachorro da raça doberman. Ele era de porte grande, fortíssimo e todo preto! Sabe cachorro do demo? Esse mesmo! Geeeeente até filme sobre esse doberman tinha. Se não me engano era O Ataque dos Dobermans e passava sempre na Sessão de Gala (ou seria na Sessão Coruja? Sei lá, são a Netflix do século passado). Um filme de terror que me fazia dormir tapada até o topo da cabeça, morta de medo. O tal cachorro era uma fera, tipo o avô dos pitbulls. Um perigo!!

Lembro também que essa raça foi coadjuvante de outro clássico do terror, A Profecia. Para você ver que o carinha definitivamente era a encarnação do capeta no mundo canino, pode acreditar! Pois bem, cadê a criatura? Alguém viu? Alguém já ouviu falar? Viram ele andando por aí? Acabou. Sumiu como fumaça. Escafedeu-se. Nunca mais ouvi falar nos dobermans. Ficaram no passado da minha memória. Extinguiram-se ou saíram de linha, não fabricam mais.

Só para ficar no cinema de quatro patas: cadê a Lassie? Linda e loira, ela se aposentou? Cachorra maravilhosa, a Suzana Vieira das cachorras! Grande atriz!! Contracenou até com a Elizabeth Taylor e só perdeu o Oscar para aquele Pastor Alemão, o Rin-tin-tin! Minha heroína, forte e corajosa, todas as cadelas sonhavam em ser a Lassie. Então, por onde andam os collies? Raça totalmente do bem. A Lassie não deixou nenhum descendente? Pelo jeito não quis perpetuar a espécie. O que teria acontecido na família da cadela? Falta de macho alfa?

Também na minha infância, mas na praia, existiam uns bichinhos bem na beira, que beliscavam os pés da gente. Andavam debaixo da areia e saíam, cavando e subindo. No litoral que eu frequentava, no Rio Grande do Sul, eles chamavam tatuíra. Pareciam uns cascudos albinos, branquinhos, branquinhos. Tinham tantas tatuíras que se fossem comestíveis, dava para matar a fome na África. Vocês acreditam que nunca mais apareceu uma só para contar a triste história? Sim, porque para terem sumido assim, só pode ter sido um meteoro, portanto um final prá lá de triste e trágico. Su-mi-ram, desapareceram! Os pezinhos de anjo das crianças nunca mais foram mordiscados.

Nunca mais vi as tatuíras, os dobermans nem os collies. E estou quase certa de que os cachorros cocker estão sumindo também. Quase posso garantir que eles serão os próximos… Suas longas e fedidas orelhas nunca mais deram pinta.

Ninguém vai fazer nada? Parem as máquinas! Chamem o Fantástico! Pessoal, eu estou bem preocupada porque estas coisas estão acontecendo bem na nossa frente. É algum tipo de conspiração? Teoria de Darwin na nossa cara? Chacina? Atentado terrorista? Foi o Estado Islâmico? Mistério instalado! Procura-se uma explicação. Ah! E se você quiser me ajudar nas alternativas acima, por favor deixe seu comentário.

6 comentários

  1. hahaha amei!!!
    Provavelmente temos a mesma idade pois um dia também me peguei pensando sobre isso, só não tinha me dado conta dos furinhos na areia da praia, verdade, cadê eles????
    Parabéns pelo texto e grande beijo!!!
    CrisHossu – roteironamao.com.br

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  2. Rindo e refletindo ao mesmo tempo! Esses dias estava comentando sobre não vermos mais borboletas e joaninhas… e também tatus-bolinhas. Infelizmente, a mão do homem, que criou tantas coisas incriveis, que nos permitem viajar e conhecer quase o mundo inteiro, nao saber a hora de parar e cada vez mais vemos menos. Estive no pantanal neste ano e foi lindo, mas confesso que vi muito menos animais do que imaginava.

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  3. Dani você tem toda razão em seu cômico mas preocupante artigo! O mundo está em transformação e só vejo animais “geneticamente modificados”. Os genuínos se foram!
    PS. Temos um poodle, velhinho e doente. Um sobrevivente dos tempos antigos!

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