Crônica

Vacas

Ontem assisti uma reportagem na TV e tive uma revelação! Incrível como os grandes insights acontecem do nada, onde você menos espera. Descobri que devia ter nascido vaca! Tudo o que eu queria na vida, agora no momento, porque posso mudar amanhã, era ser uma vaca. Desde ontem, sonho com isso e peço aos céus para que, com sorte, na próxima encarnação eu venha vaca.

Não estou tendo uma crise de esquizofrenia nem meu chá das cinco foi de cogumelo, tenho certeza que quando me explicar, você que me lê e neste momento está com o queixo no colo, vai entender e compartilhar comigo desse desejo. Vamos apostar?

Pra começo de conversa, não é qualquer vaca. Claro que não, já falei que não estou surtada! Sou só bem animadinha. Ora se vou querer passar uma vida pastando e ruminando sem parar, é ruim, hein! A tal reportagem que me iluminou, foi um documentário seríssimo sobre um grande licor de leite feito na Irlanda. As lindas vaquinhas em questão, só perdem em zelo e privilégios, para o futuro rei da Inglaterra, o pequeno George. Se bem que tem filho de rei no Brasil que também não está nada mal na foto. Mas nem eu, nem você querido leitor, temos tanta mordomia como tem essas vacas irlandesas. Caraca! É muita moleza! Não tenha dúvida.

São quarenta mil seres comendo do mais lindo e verde pasto do país, sem nenhuma preocupação a mais. Na hora da ordenha curtem um som no mp3 suave para seus ouvidos. Volume no nível exato, nem mais, nem menos. Decibel no ponto. Música erudita. Barroca ou Rococó, depende do clima. Tudo para deixá-las contentes, calmas, seguras e seu poderoso leitinho, o principal ingrediente da bebida, ser totalmente puro. Livres de qualquer estresse, vivem em um spa! A vida que eu pedi a Deus. E as vacas indianas, sagradas que são, se achando! Coitadas! Perto das bonitinhas aí, elas são uó, quase vacas-atoladas! Que peninha!

Não to falando?!! Definitivamente, sorte não é para qualquer um! E aí, é dose né!? E pensar que tínhamos nascido em berço esplêndido! Vai sonhando… Tô pensando em sugerir ao Caetano, íntima que sou, uma música no estilo Vaca Profana, dona das divinas tetas! Sei lá, algo tipo Vaca Birita e leite bom pra manguaça! Pensarei melhor no assunto. Composição não é o meu forte. Mas que inspira, inspira…

Voltando as vacas-vida-mansa, nem quero entrar na deprimente constatação que nosso país não oferece educação para todas nossas crianças, nem saúde e segurança. Você acredita que tem gente que morre pelos corredores dos hospitais sem atendimento? Eu também não. Não posso pensar! É possível que neste século tenha alguém que passe fome e não tenha um teto? Que em pleno terceiro milênio ainda estamos preocupados com mosquitos? Febre amarela? Zika? É o fim da picada, sem trocadilhos, por favor.

Tive uma ideia: na próxima manifestação em nossa cidade, vamos fazer cartazes pedindo tratamento parecido ao das vacas privilegiadas, que tal? Se não somos vacas de primeiro mundo, bem tratadas e respeitadas, pelo menos não somos mais vaquinhas de presépio, nem tampouco vacas-vai-com-as-outras. Massa de manobra não, caro amigo. Aqui, graças a São Francisco, ou a algum outro santo corajoso, até o free boi, já não está tão livre assim… E cadeia para a boiada que nos roubou ! Vacas unidas jamais serão vencidas! Vamos lutar pelos nossos direitos. Enquanto isso, vou me garantir e continuar rezando pela minha nova vida na outra vida.

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