Crônica

Mudança de hábito

Você sabe que o tempo passou quando a conversa com as amigas muda radicalmente. Lá em 1988 era: com que roupa você vai na festa? Me empresta aquele rímel azul maravilhoso? Qual mãe ou pai vai nos buscar? Bons tempos! Aí você corta para 2017 e o assunto muda para saber qual o nome do antiinflamatório que não dói o estômago ou ainda qual o nome e telefone da melhor fisioterapeuta da cidade!

É sério. E triste. Quando foi que essa chave virou e transformou nossas vidas desse jeito? Que dia perdemos a juventude? Talvez no mesmo dia que meu joelho começou a doer ou o quadril da minha amiga deslocou. O quadril e a nossa conversa. Mudou tudo. No caso, se deslocou de século. E assusta viu? Um dia você está preocupada com o batom 24 horas que não sai da sua boca há 48 e no outro amanhece com hora marcada no traumatologista! Um dia você dança sem parar na boate da moda e no outro está dentro do tubo da tal ressonância magnética sem música nenhuma! Um dia você sonha com o gato da faculdade e no outro para seu gato, o bicho, não caminhar em cima das suas pernas – cansadas das varizes.

Passa rápido. Tudo isso foi ontem, juro. O tempo não é relativo, ele é cruel e voa.  A mocidade também. E não venha se achar o rei da cocada preta e imortal, porque acontece para todos! Uma hora chega, cedo ou tarde a terceira idade vai te pegar. Agora como ela vai te encontrar? Aí, talvez, dê para escolher. Eu pelo jeito tomei péssimas decisões. E a idade está me encontrando com a lataria bem danificada.

Talvez  eu e minhas amigas tenhamos conversado muito na academia e por causa de uma boa fofoca, perdemos de fazer aquele exercício importantíssimo para a saúde de nossos ossos. Foi uma opção, como tudo na vida. Puxar 20 quilos de ferro ou saber com quem o marido da dona do restaurante estava saindo? Bem feito pra mim que preferi ser abelhuda!! Quatro séries de abdominal ou a receita do bolo de cenoura de liquidificador? Uma cabulada coletiva por um café com conversa ou duas horas suando a camisa? Nem preciso te dizer tudo o que fizemos… Agora estamos pagando o preço. E o plano de saúde também!

Mas conheço um belo grupo de mulheres contemporâneas que se descobriram atletas e duvido que tenham dores.  Super na moda correr léguas e modalidades novas na academia. Se tenho inveja? Claro, sou humana! Elas devem estar envelhecendo sambando na cara da sociedade. O que posso fazer se preferi conversar? Adoro um bom papo e sempre odiei ter que me movimentar, se pudesse só piscava e olhe lá. Atenção crianças! Não façam isso em casa! Muito perigoso! Não me sigam os bons!

E agora? Bem, rebobinar a vida não pode, mas podemos rever conceitos e mudar os hábitos. Dar uma guinada, coisa linda de dizer. Superação! Quem sabe virar matéria reality no Bem Estar. Que sonho! Ainda dá tempo! Uma boa possibilidade é começar com exercícios leves de alongamento e fortalecimento dos músculos como pilates ou yoga. Hidroginástica ouvi falar que não força as articulações. Caminhar no parque. Contratar um personal tímido e afônico, assim não corro o risco de engatar um papo.

Levar a sério o assunto. Não levar as amiguinhas na aula é uma ordem. Se alimentar bem. Dormir bem. Vou tentar. Parar de reclamar também se faz necessário. Aja garota! Levante a buzanfa dessa cadeira e sacuda os quadris! (Desculpe amiga que deslocou-o… mas o meu ainda se mexe!). Força na peruca! Chama a produção do programa! Eu sei que somos uma boa pauta.

Proponho ao meu grupo de colegas essa revolução! Vamos todas nos cuidar para mostrar que ainda estamos podendo e muito! Caso contrário, como alguém disse dia desses, o seu próximo presente poderá ser um vale-farmácia! Vai querer? Eu não! Eu quero é lançar livro de auto-ajuda no Fantástico!

 

 

7 comentários

  1. 👏🏻👏🏻👏🏻👏🏻👏🏻vamos sacudir o esqueleto amiga !!!!!
    Nada que algumas sessões de fisioterapia não resolva , mas que é um saco ah ! isso é ….
    #tamojuntonayoga

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  2. Caramba Dani ameiii a crônica , estou aqui rindo horrores!! Mais bem sabe que se dependesse de mim
    Esse tal grupo( kkkkk)!! Estaria há tempos com o esqueleto em dia!!!! Porém esperança é última que morre, então borá lá!!! Ruas de Joinville!!! Bjks!!!

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  3. Não tem como não amar suas crônicas, Dani! Vejo-me refletida nelas. Já fiz várias tentativas de largar a cadeira, todas fracassadas. E já recebi o vale farmácia, vale fisioterapia, vale acupuntura. Quem ainda tiver tempo, siga o conselho de Dani! Para mim, não sei se há mais jeito…Beijo no coração querida!

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