Viagem

Perto do terror em Paris

Estamos vivenciando momentos difíceis no mundo por causa do terrorismo. Graças a Deus somos brasileiros e vivemos longe de zonas de conflitos. Nossos problemas, que não são poucos, fazem parte de outra seara e por mais que a violência esteja entre eles, atentados, por enquanto, só assistimos pela tv ou cinema.

Porém, somos um blog de viagens, entre outros interesses, e infelizmente já estivemos perto do terror e temos uma história para contar. Em janeiro de 2015 estávamos na Europa com nossa filha, com 9 anos na ocasião, aproveitando as férias. Para ser mais exata, no dia 7 de janeiro estávamos em Londres quando aconteceu o atentado ao jornal satírico francês Charlie Hebdo. Lembro exatamente de como e onde estávamos quando soubemos: através de um jornal vespertino que vimos na rua, no coração de Covent Garden.

Acho que ainda não tínhamos entendido muito bem a gravidade da situação, até porque as notícias estavam chegando aos poucos, e, portanto, não demos muita bola para o fato de que três dias depois, estaríamos em Paris . Mais tarde, fomos para a  National Gallery na Trafalgar Square e começamos a ver as pessoas se amontoando com flores e cartazes e foi então, que nos demos conta que tinha sido muito sério. Inclusive as águas da fonte da praça estavam com luzes da bandeira da França.

Abaixo, começando a aglomeração na Trafalgar Square. Durante a noite foram milhares de ingleses para a praça e fizeram uma linda vigília em solidariedade à França. Desculpem a falta de fotos profissionais.

 

De volta ao hotel naquela noite, assistimos horrorizados ao noticiário: foi um massacre que deixou 12 pessoas mortas e 5 feridas. Uma retaliação da Al Qaeda contra umas charges publicadas pelo jornal, que ficava no famoso e turístico bairro do Marrais.

Nos dias seguintes recebemos muitas mensagens de nossa família nos questionando se ainda iríamos a Paris. Confesso que fiquei com muito medo de nos expormos e quis desistir, mas meu marido não deixou.  Acreditou que tudo daria certo, como de fato deu. Contudo, resolvemos ficar longe de alguns lugares e principalmente, da grande marcha que estava sendo preparada! De qualquer maneira, foi inevitável deixar de viver o mesmo sentimento dos franceses. Tinha no ar de Paris um clima de tensão que era quase sólido!

Chegamos na capital da França no dia 10 de janeiro pelo aeroporto de Orly. De lá, pegamos um ônibus até o centro da cidade para depois pegarmos um metrô até nosso hotel em frente a Gare de Lyon. Na descida do ônibus, umas adolescentes encontraram suas amigas e entusiasmadas deram gritos de felicidade. Bem, eu e todos os outros passageiros quase tivemos um ataque do coração! Minha sorte é que não sou cardíaca! O grito dela foi muito parecido com desespero e não alegria! Ali, na chegada, já senti que o pânico estava no ar além do oxigênio! Um senhora ao meu lado, não se conteve e xingou muito as meninas! Contando agora, parece bobo, mas juro que levamos um grande susto!

Reparamos de cara, que quase todos os estabelecimentos comerciais tinham cartazes com os dizeres que o mundo inteiro repetiu: Je sui Charlie! Notamos também muitos militares (exército) fortemente armados pelas ruas, principalmente nos pontos turísticos, esses com a revista mais rigorosa. Cada carro de polícia, bombeiro ou ambulância que passasse com sirene acionada era um alerta. Todos se olhavam buscando respostas.

Eu mesma vivi um momento de puro preconceito, confesso. Estávamos na plataforma do metrô quando avistei um árabe bem típico com túnica toda branca, turbante e uma longa barba e morri de medo! Pensei na hora: olha o que um atentado terrorista faz com a gente!? Feio, não é? Mas eu me perdôo, porque justifico esse sentimento através do que temos visto acontecer com o mundo!

No dia da marcha resolvemos entrar no Louvre e ficar o máximo de tempo por lá. Não queríamos correr riscos com Martina em meio à multidão. A passeata contabilizou mais de um milhão de pessoas pedindo liberdade e democracia e lembrou as vítimas, claro. No final do dia, vimos pelas ruas a dispersão do movimento enquanto caminhávamos.

Soldados dentro do Louvre.

Se eu me arrependo de ter ido a Paris naqueles dias pós terror? Não, nem um pouco! Mas sei que tivemos sorte, coisa que muitos outros turistas de atentados à Europa que vieram nos anos seguintes infelizmente não tiveram. Falo de Paris (que sofreu outros atentados horríveis), Nice, Berlim, Manchester, Londres, Estocolmo e o último em Barcelona, um lugar que ano passado estivemos também! Será que a partir de agora para ir para a Europa e sair ileso, será uma questão de sorte? Que mundo é esse? Teremos nós ao escolher nossos destinos, rezar muito para que nada nos aconteça? Não poderemos mais ir à Europa?

PS.: a primeira vez em que estivemos em Paris, em 2004, assistimos um atentado com morte na Torre Eiffel. Vimos de camarote toda a movimentação policial, o corpo saindo e o assassino sendo preso! Repare que para o Baú, Paris é um perigo! Mas nunca vamos desistir dela!!

De qualquer forma e apesar de tudo, a família Baú foi muito feliz aqueles dias na França!

4 comentários

  1. Por mais que estes ataques nos abalem, precisamos continuar a vida e nossas viagens. Sempre que possível apoiar as vítimas. Ano passado escapamos do ataque em Nice por poucos dias também. Ficamos abalado pelos Franceses também.

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  2. Uau, um relato e tanto. É imperdoável o que o terrorismo está fazendo à Europa. E o que mais me irrita é ver eles utilizarem a igreja muçulmana como uma cobertura para as atrocidades que visam, única e exclusivamente o poder, utilizando-a como ferramenta de alienação para engajar pessoas nesse objetivo estúpido e doentio. Triste com isso.

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