Viagem

Museu com Crianças

Será que criança gosta de museu? Essa pergunta sempre passou pela minha cabeça desde que Martina nasceu. Será que nossa filha nos acompanhará nesse programa cultural que tanto amamos e que fazemos durante nossas viagens? Uma vez a pediatra dela, quando a pequena ainda era uma bebê de colo, disse: “ela tem que ser parceira de vocês!” E foi pensando nisso que desenvolvemos táticas de guerra. Sim, foi caso pensado! Quase uma estratégia.

Conversávamos sobre crianças serem caixas vazias e lá dentro nós, os pais, teríamos oportunidade de por “o que quiséssemos” com muita responsabilidade e cuidado, é claro. Portanto, se só oferecêssemos coisas boas, de nível e qualidade (claro que dentro do nosso critério – e cada um tem o seu!), as chances de ela “comprar” nosso gosto seriam muito maiores. E por isso começamos a apresentar uma infinidade de temas e assuntos relacionados às artes. Todas elas: visuais, música, teatro, cinema e dança.  Ah! Sem esquecer que somos uma família de leitores e sabem como aprendemos pelo exemplo…

O resultado não poderia ter sido melhor. Martina é apreciadora e conhecedora de coisas que muito adulto nunca ouviu falar! Posso estar sendo muito pretensiosa, mas é verdade! Foi nosso objetivo ensinar cultura geral para ela. Outro dia mesmo, comentávamos sobre coisas que sabe e que nunca a escola vai ensinar. Fiz curso de História da Arte para podermos conversar com mais propriedade dentro dos museus. E aos cinco anos tivemos que levar a fã mirim em um show de André Rieu, porque a criança adorava os DVDs!

Sua primeira incursão em uma exposição de arte foi escolhida a dedo.  Ela tinha apenas quatro anos e fomos ao  Museu Oscar Niemayer de Curitiba para ver as obras de Vik Muniz. Foi um sucesso e nosso plano deu certo porque ele tem um trabalho super lúdico. Ela, criança pequena ainda, se interessou muito em ver aqueles quadros feitos de geléia, brilhantes, algodão, pequenos soldadinhos, etc. Na frente de cada um que parávamos, nós chamávamos a atenção dela para observar a criatividade do artista, uma cor ou um material inusitado. Não sem mostrar o tempo inteiro em como nos comportamos dentro de um museu, ou seja, de maneira respeitosa e silenciosa.

Desde lá nossa companheira de viagens tem colecionado visitas à importantes museus. Todos são acompanhados de explicação, dentro de nossos limites, claro, mas o mais importante são os questionamentos que fazemos a ela para instigar sua curiosidade. Lembro muito bem de quando estivemos no Louvre, que eu a desafiei a dizer onde estava a luz nos quadros de Caravaggio. Ou quando pairava dúvida sobre a autoria de algum artista renascentista, fazia ela decidir de quem era, através de comparação.  Também falávamos sobre as diferentes pinceladas de alguns artistas, coisas como Monet ou quadros mais figurativos. Ela gosta de reparar quando um quadro parece uma fotografia e conversamos muito sobre as datas daquelas pinturas! Falamos para ela que muitas são anteriores ao descobrimento do Brasil!! Assim ela é capaz de avaliar a genialidade daqueles artistas, tendo em vista a falta de material e a variedade como temos hoje.

Usamos alguns desenhos animados ou filmes como aliados. Ela sempre gostou de um desenho espanhol do Canal Futura chamado As Trigêmeas, que conta as aventuras das garotinhas com grandes personagens históricos e entre eles vários das Artes como Gaudí e Van Gogh. A trilogia Uma Noite no Museu também nos fez ir atrás de tudo com ela! Não esqueço seu encantamento ao ver uma bailarina de Degas ou O Pensador de Rodin. E no Discovery Kids, o desdenho Os Piratas e suas aventuras coloridas, onde conheceu uma dezena de artistas que também quis ver os trabalhos pessoalmente, como Calder e seus móbiles e Andy Warhol e a Pop Art.

Mas para mim, a melhor história da minha pequena aprendiz, aconteceu quando fomos ao Louvre somente comprar os ingressos e ela viu uma reprodução da Monalisa no Carrossel e me perguntou: “mas mamãe, por que ela tem esse sorriso estranho, meio esquisito?” Fiquei fascinada com o olhar apurado de Martina para uma coisa que nunca tínhamos falado e que está em todos os livros de Arte: o sorriso enigmático de Monalisa. E confesso, de verdade, que eu nunca consegui enxergar isso. Essa garotinha é meu orgulho!

Sim! Criança pode muito bem gostar de museu, por isso não desistam! Desafiem, criem brincadeiras e despertem a curiosidade de seus pequenos viajantes! Ofereçam oportunidades! Troquem impressões e aprendam juntos! Pesquisem e estudem! Aproveitem essa geração tão moderna que é a dos nossos filhos e busquem informações no Google, quem sabe! Vá ao museu de sua cidade! Com eles!

Algumas fotos de Martina no Louvre! Uma dica: as crianças amam a parte do Egito!

4 comentários

  1. Eu gosto muito de museus, mas nesses grandes,como o Louvre, prefiro visita guiada! Chegar perto da Monalisa dá um trabalhinho mesmo, mas mesmo sempre rodeada de gente, tiramos fotos eu, minha filha e a Mona, aproveitando-se da altura do meu marido, que conseguiu esconder a multidão! Post super bacana! Adorei.

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